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O ano está terminando, logo vem o Natal e a corrida às compras. É presente para Mãe, para o Pai, Namorada(o), Filho(a), Avó... Afinal, o Natal perdeu o sentido? Virou uma mera data no calendário do comércio?
Trocar presentes não é uma tradição exclusiva da cultura ocidental, outros povos também trocam presentes, aliás, a troca está dentro de uma lógica de “obrigações de reciprocidade”, que em maior ou menor escala é adotada pelas civilizações e tem uma conotação simbólica muito forte.
As comemorações natalinas fazem parte de um sistema de crenças e rituais que povos cristãos/protestantes adotaram (baseadas no nascimento de Cristo e no Papai Noel – São Nicolau ), elas variam de país para país, mas invariavelmente são revestidas de elementos sagrados que reiteram valores relacionados à solidariedade, à esperança, à justiça e à paz.
O que a cultura ocidental moderna de massa inovou e vem acentuando, é uma espécie de hedonismo (profano), ou seja, estimulo -ao desejo- de comprar compulsivamente, que teriam de certa forma ofuscando as “tradições” natalinas (sagrado).
Nessa disjuntiva entre as tradições (sagrado) e a mercantilização (profano) há uma tensão entre “desencantamento” religioso e um espaço de re-significação do profano, onde qualquer coisa, inclusive os presentes de natal, podem adquirir uma carga simbólica tão grande que as tornam sagradas para seus usuários.
Nesse sentido, o que ainda motiva as pessoas a presentearem não é um mero impulso hedonista da compra pela compra, mas o(s) significado(s) que a(s) troca(s) de presente(s) adquire(m). Que no Natal parece(m) mais fortalecer o sentido original do ritual, do que enfraquecê-lo.
Um Feliz Natal !